Designers, programadores e as necessidades do mercado
Lendo um artigo no Acorda pra Web! sobre como o flash pode ser bem utilizado na web (apesar de pouco vermos isso na prática), sem tornar o conteúdo inacessível para quem não o possui devido player. Mas no final do post foi levantada uma questão que gostaria de discutir:
Por que será que ninguém desenvolve em Flash então? Eu sei, é porque a web é feita de dois tipos de pessoas: amantes de design que não sabem programar muito bem e amantes de programação que tem preconceito de ferramentas de design.
Não é bem assim. Designer é designer e programador é programador, não adianta tentar mesclar dois talentos tão distintos que o resultado será no máximo “meia boca”. Um profissional jamais será realmente bom enquanto ele ousar atuar em áreas distintas simultâneamente.
O mercado precisa de profissionais cada vez mais especialistas em apenas uma determinada área (que de preferência seja o melhor naquilo que faz), e este profissional realizará apenas tarefas relacionadas a sua especialidade. É absurdo exigir que o designer faça também o sistema de administração em alguma linguagem server-side, e se ocorrer, o resultado já sabemos: design ou programação (ou mesmo os dois) de péssima qualidade.
Se atualmente você tem sido um “faz-tudo”, recomendo que escolha uma área a qual lhe interessa e que seu desempenho seja bom, para então aprofundar-se nela. Caso você seja o chefe de um funcionário assim (ou de vários), está na hora de rever seus conceitos. O resultado das mudanças tendem a ser positivo em ambos os casos.
Leitura recomendada:
Canha 22 de março de 2007 às 15:48
Olá, eu tenho que discordar em algumas coisas que você falou aí. Eu programo há pelo menos 7 anos e faço faculdade de design (minha verdadeira paixão) há 2 anos. Eu sou bem competente nas duas áreas; consigo fazer um layout bacana e ainda deixá-lo funcional. Claro que eu também não faço os milagres que alguns programadores fazem, mas isso não faz de mim um profissional “meia-boca”.
“Um profissional jamais será realmente bom enquanto ele ousar atuar em áreas distintas simultâneamente.” - isso não é nada verdadeiro. Veja o caso de um designer por exemplo: ele precisa entender de outras áreas que fujam do design para conseguir fazer projetos bem-feitos. Do que eu adianta tentar criar uma logo de uma auto-mecânica sem ter o mínimo de idéia de como eles concertam as coisas, ou de como um carro funciona?
O melhor profissional não é aquele que apenas sabe fazer coisas nas quais ele foi formado, mas aquele que sabe muito mais do que aquele que só meche na área dele e pronto. Eis o diferencial! O diferencial é extremamente bem-visto por empresas hoje em dia. Claro que o cara precisa entender BEM de duas ou mais coisas, senão ele realmente só vai trazer problemas (como o designer que entende bem pouco de carros: ele vai trazer mais problemas do que soluções ao trabalho dele)
Bom, espero que eu tenha conseguido alterar um pouco sua opinião sobre esse negócio de que “se você é designer, não ouse ser programador e vice-versa”.
Qualquer coisa, me dá um toque no meu blog.
Ah, e curti teu blog. Abraços!
Emanuel Felipe 22 de março de 2007 às 16:31
Canha, lógicamente respeito quem tenta trabalhar tanto como designer quanto programador (inclusive eu mesmo sou obrigado em alguns momentos), mas o que quero dizer é que considero inviável ser um profundo especialista nas duas áreas. Vejo como sendo muito conhecimento para apenas uma pessoa.
O serviço “meia boca” que quis dizer não significa necessariamente um serviço ruim, mas sim pouco lapidado. Como um sistema que por mais funcional que seja, utilize muito processamento. Ou como você citou, um design, que por mais bonito que seja (apesar de design ir muito alem de apenas fazer coisas bonitas) não esteja coerente com a auto-mecânica que encomendou o serviço.
E obrigado pela participação, estamos aqui para construir idéias…
Carlos Eduardo 25 de março de 2007 às 13:09
Concordo com você!
Devemos nos especializar em determinada área, para sermos bons naquilo. Acho ridículo ver determinadas vagas de emprego, solicitando que o cara seja designer e saiba programação…
Todo mundo sabe que, se algum cara souber tudo isso, merece ganhar MUITO dinheiro.
Agora, se o cara é meia-boca em tudo, não saberá fazer nada direito, e é isso que sou contra também.
Mas tem uma questão que defendo, é o fato de que os Web Designers devem conhecer o processo de desenvolvimento de um site, e não se ater somente à parte gráfica da coisa. Isso quer dizer que, saber de HTML e CSS não é pedir muito não.
Se você faz parte de um processo e não sabe como ele é executado, teremos conseqëencias graves!